20 de out de 2009

Pesquisadoras visitam maternidade e avaliam impacto da ilegalidade do aborto na Paraíba

Pesquisadoras do Grupo Curumim (Pernambuco), Cunhã – Coletivo Feminista (Paraíba), CFEMEA (Brasília) e IPAS (Rio de Janeiro) e representantes do movimento de mulheres irão visitar duas maternidades na Paraíba para avaliar a qualidade do atendimento às mulheres que realizaram aborto. Hoje (20), às 11h, a comitiva visitará a Maternidade Instituto Saúde Elpídio de Almeida (ISEA), em Campina Grande , e amanhã (21), às 10h, será a vez do Instituto Cândida Vargas, em João Pessoa. O objetivo é investigar o impacto da ilegalidade do aborto para as mulheres e para o sistema público de saúde na Paraíba. Os resultados farão parte do “Dossiê sobre a Realidade do Aborto Inseguro na Paraíba: O Impacto da Ilegalidade do Abortamento na Saúde das Mulheres e nos Serviços de Saúde de João Pessoa e Campina Grande” que será divulgado nos próximos dias.

Dados preliminares revelam que a ilegalidade do aborto no Brasil impacta diretamente na qualidade do atendimento no SUS, violando os direitos humanos das mulheres. Para a coordenadora do Grupo Curumim, Paula Viana, a visita é uma forma do movimento se colocar solidário as mulheres vítimas de maus-tratos nos hospitais públicos. “A Paraíba é o triste retrato do nordeste em relação ao atendimento à mulher que realizou o aborto. Nenhum hospital pesquisado segue as normas do Ministério da Saúde para o atendimento a mulher. Pelo contrário, as pacientes sofrem discriminação e tem seus direitos violados.”

Na Paraíba, a intervenção mais utilizada, por exemplo, para assistir mulheres que abortaram é a Curetagem pós-parto, procedimento mais caro e que oferece mais riscos de infecção para as mulheres, na contramão da indicação do Ministério da Saúde de utilizar a Aspiração Manual Intra-uterina (AMIU).


Números

Entre janeiro de 2008 e junho de 2009, foram realizadas em João Pessoa 29 AMIU e 2.803 curetagens, e em Campina Grande, onde ainda não é realizado o procedimento de AMIU, foram feitas 2.319 curetagens no mesmo período. Os gastos públicos na capital com curetagens foram de R$ 532.422,44 e em Campina Grande o custo foi de R$ 414.004,70. Ao mesmo tempo, foram gastos com AMIU apenas R$ 3.746,14, em João Pessoa , no mesmo período.

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