24 de jul de 2008

A vida real do SUS e o parto humanizado

Nem o Hospital das Clínicas de São Paulo, uma das principais referências no país em atendimento do parto de alto risco, está preparado para as mudanças anunciadas ontem pelo Ministério da Saúde.Embora louváveis, sem recursos financeiros e vontade política dos gestores de saúde, as medidas para incentivar o parto humanizado correm o risco de não chegarem à vida real do SUS.

Os alojamentos para mães e bebês, por exemplo, agora previstos na nova portaria, inexistem na maioria das maternidades públicas, embora seja uma recomendação antiga da OMS (Organização Mundial da Saúde). No HC, ainda que em 70% dos casos, mães e bebês pudessem ficar juntos do ponto de vista médico, isso não ocorre porque não há espaço para os berços nos quartos.As mães ficam em quartos coletivos -com quatro ou dois leitos- e os bebês, no berçário. A cada quatro horas, eles são levados aos quartos para a amamentação.A nova portaria garante também a presença de um acompanhante de livre escolha da gestante durante o parto e a internação. Mas no HC não há espaço para os pais permanecerem ao lado das mulheres. Eles só têm autorização para assistir ao parto. Nos quartos coletivos, a acompanhante da mãe deve ser outra mulher. Basta saber agora como essas e outras questões serão viabilizadas na prática.

NOVAS REGRAS

O QUE É?
A Anvisa criou resolução para incentivar a humanização do parto, prevista para entrar em vigor em dezembro

MEDIDAS:
Grávidas terão direito a acompanhante antes, durante e depois de um parto normal

Hospitais a serem construídos, ampliados ou reformados deverão ter, no máximo, duas gestantes por quarto

O bebê deverá ficar com a mãe no quarto, exceto em casos em que houver indicação médica contrária

Ao fazer o parto natural, a mulher poderá escolher a melhor posição - deitada ou de cócoras, por exemplo-, se não houver impedimento clínico

43% dos partos em 2007 foram por cesariana, segundo o Ministério da Saúde

80% dos partos de usuárias de planos de saúde ocorrem por cesariana, ante 31% no SUS

15% é índice de cesarianas recomendado pela OMS

Fonte: Folha de São Paulo

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